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  • Foto do escritorJonatas Mucci

APOSTAS: Um jogo perigoso para o comportamento

Atualizado: 27 de jul. de 2023


Você já ouviu falar em casa de aposta? Se você utiliza a internet, assiste televisão ou simplesmente anda pelas ruas da cidade, você provavelmente já se deparou com diversos anúncios de aplicativos de apostas.

As apostas estão ganhando cada vez mais popularidade no Brasil nos últimos anos. O principal motivo disso é a aprovação da Lei 13.756/2018, que regula as apostas esportivas no país. Antes disso, as apostas só eram permitidas em loterias da Caixa Econômica Federal, o que limitava muito o mercado.

Com a nova lei (2018), as apostas esportivas online foram legalizadas, o que permitiu que diversas empresas estrangeiras entrassem no mercado brasileiro. Essas empresas oferecem uma ampla variedade de esportes para apostar, incluindo futebol, basquete, vôlei, tênis, MMA e muito mais.

Além disso, a crescente popularidade dos esportes no Brasil, especialmente do futebol, contribuiu para o aumento das apostas. O país tem uma das maiores torcidas de futebol do mundo, o que cria uma demanda natural por apostas nesse esporte.

As empresas que operam no mercado de apostas esportivas no Brasil estão investindo cada vez mais em publicidade e promoções para atrair novos clientes. Isso inclui patrocínios de times e eventos esportivos, além de bônus de boas-vindas e outras promoções para novos usuários, incentivando cada vez mais pessoas a participarem dos jogos.


Agora que você já está mais contextualizado sobre o atual contexto das apostas no Brasil, que tal fazermos uma pergunta? Como as apostas podem influenciar no comportamento humano?


A psicologia exerce um papel importante quando analisando o comportamento de apostar, pois pode afetar as decisões que um indivíduo toma ao entrar neste jogo. Muitas vezes, as pessoas tomam decisões com base em emoções e não em fatos ou probabilidades, o que pode levar a escolhas ruins e perdas financeiras.

Conhecido cientificamente por “jogo patológico”, o transtorno que envolve as apostas excessivas e compulsivas veio ser reconhecido apenas em 1980 e, até hoje, muitos estudos evidenciam sobreposições neurobiológicas entre o vício nos jogos e vícios em drogas, ou seja, essas condições são muito semelhantes quando olhadas sob uma ótica neurológica.

A pessoa adicta aos jogos de aposta apresenta cada vez mais motivação a jogar quando perde, afinal, quando ela perde, é necessário recuperar o dinheiro e tempo gasto. Griffiths (1990) destacou os processos cognitivos presentes durante a aposta e como isso pode afetar a tomada de decisão do jogador, como por exemplo a ilusão de controle, “arrependimento cognitivo”, avaliações tendenciosas e a “psicologia do quase erro”.


Souza, (2009, Apud Custer, 1984), destaca em seu estudo “Jogo patológico e motivação para mudança de comportamento”, as fases do comportamento de jogar que, normalmente, iniciam-se pela adolescência com pequenas apostas e ao longo do tempo se intensifica. São identificados três comportamentos:

  • A fase da vitória: ganhar no jogo é um fator que motiva muito o indivíduo, principalmente no início. Esse estímulo pode fazer com que o jogador pense que é um bom apostador, reforçando assim o seu comportamento de apostar.

  • A fase da perda: “a atitude de otimismo não-realista passa a ser característica do jogador patológico” (Souza, 2009, Apud Custer 1984, p. 349). Após ganhar, o jogador pode se frustrar ao não conseguir o mesmo feito. A tentativa de recuperar o que foi perdido passa a ocupar muito tempo na vida do jogador e perder no jogo passa a ser cada vez mais doloroso. “O dinheiro que ganhou no jogo é utilizado para jogar mais, e, em seguida, o indivíduo emprega o salário, economias e dinheiro investidos” (Souza, 2009, Apud Custer 1984, p. 349).

  • A fase do desespero: durante esta fase o aumento de tempo e dinheiro dedicado ao jogo se torna evidente, muitas vezes afetando a relação interpessoal do indivíduo. Percebe-se então a angústia do adicto às dívidas, a privação de seus relacionamentos, a possível reputação negativa, entre outros fatores que colaboram com o sofrimento psíquico do indivíduo. Ao perceber sua situação, é comum que o jogador passe a reproduzir cada vez mais seu comportamento com a esperança de recuperar tudo aquilo que foi perdido. Nessa fase, é comum a exaustão física e psicológica, sendo frequente a depressão, pensamentos suicidas e o alcoolismo.

Percebemos então que as apostas colocam em risco todos aqueles que, muitas vezes por diversão ou esperança, se sujeitam a experimentar algum destes jogos.


Os malefícios psicológicos das apostas


Como já vimos, as apostas podem ter uma série de efeitos negativos na saúde mental, levando a comportamentos prejudiciais. A seguir, para elaborar de maneira mais clara, listaremos e exemplificaremos alguns dos malefícios das apostasias identificados pela ciência psicológica:


Dependência e vício: A maioria das pessoas que jogam desenvolvem um comportamento compulsivo que as leva a continuar jogando, mesmo quando isso está prejudicando suas vidas financeira, social e familiar. O vício em jogos de azar é uma doença reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).


Ansiedade e estresse: A tensão associada às apostas pode aumentar os níveis de ansiedade e estresse, especialmente quando os jogadores estão perdendo dinheiro ou tentando recuperar as perdas anteriores.


Depressão: Os jogadores que perdem muito dinheiro podem se sentir deprimidos e sem esperança em relação ao futuro, o que pode levar a problemas de saúde mental mais graves, como depressão.


Problemas financeiros: A maioria das pessoas que joga acaba perdendo dinheiro. Isso pode levar a problemas financeiros graves, como dívidas, dificuldades em pagar contas e até mesmo à falência.


Problemas de relacionamento: O comportamento compulsivo associado às apostas pode prejudicar os relacionamentos pessoais e profissionais, incluindo amizades, relacionamentos românticos e relacionamentos familiares.


Problemas de saúde física: A perda de sono, a falta de exercício físico e má alimentação são comuns entre os indivíduos adictos em jogos. Isso pode se dar justamente pela falta de motivação e horas gastas no jogo patológico.


 

Por fim, percebemos os inúmeros riscos e prejuízos que jogos de azar e apostas ocasionam. Este texto tem como objetivo gerar reflexões sobre o tema tratado, incentivar a busca por pesquisas e entender, de acordo com a ciência, toda a complexidade da situação.


Caso você perceba que se enquadra em um dos sintomas do transtorno de jogo patológico, busque por auxílio profissional e, se possível, apoio dos familiares e amigos. Você não precisa passar por isso sozinho.

 

REFERÊNCIAS


Griffiths MD. The cognitive psychology of gambling. J Gambl Stud. 1990 Mar;6(1):31-42. doi: 10.1007/BF01015747. PMID: 24242792.


Planalto.Gov - LEI Nº 13.756, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2018. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13756.htm


Souza, C. C. de ., Silva, J. G. da ., Oliveira, M. da S., Bittencourt, S. A., & Freire, S. D.. (2009). Jogo patológico e motivação para mudança de comportamento. Psicologia Clínica, 21(2), 345–361. https://doi.org/10.1590/S0103-56652009000200007



 

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Texto revisado pela Neuropsicóloga Patrícia Zocchi

CRP: 06/77641

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