• Bruno Zocchi

Com o que você está alimentando o seu cérebro?


Você já se fez essa pergunta? Claro que não estamos falando de comida, mas sim, de conteúdo. Como você está alimentando o seu cérebro considerando as coisas que assiste, que ouve, que joga?


Nosso cérebro é uma máquina fantástica e você com certeza sabe disso. Ele pode absorver muita informação e trabalhar com elas de maneira extremamente rápida e eficiente. No entanto, o cérebro também tem suas limitações...


Uma delas diz respeito à vivência de experiências. Diferentes aspectos da experiência vivida são processados em diferentes regiões do cérebro. É a comunicação entre essas regiões que dará o balanço geral daquilo que foi vivido. No entanto, nem sempre essa comunicação é efetiva e muitas vezes, ainda que seja, o cérebro ainda pode falhar em fazer o balanço da experiência de maneira adequada. Vamos dar um exemplo:


Imagine que você acabou de acordar de um sonho muito prazeroso, daqueles que até pensamos "ah, não queria ter acordado! Estava muito bom...". Veja: você sabe que aquilo que sonhou não foi real. Você não viveu aquilo de fato. No entanto, veja como a experiência do sonho despertou em você reações fisiológicas (no caso, relacionadas ao prazer) extremamente reais... Olha como é interessante: mesmo sem passar pela situação propriamente disso, parte do seu cérebro agiu como se você tivesse vivido ela na realidade!


Bom, acontece que nosso cérebro pode agir assim também enquanto estamos acordados. Enquanto nosso córtex pré-frontal pode nos dizer o que estamos vivendo e pelo que estamos passando de fato, outras estruturas do cérebro, sobretudo do sistema límbico, não são muito efetivas em fazer essa diferenciação, podendo agir como se uma situação irreal fosse real, por exemplo.


Ótimo, isso está explicado. Mas agora vamos voltar à pergunta: com o que você tem alimentado o seu cérebro?


Vamos pensar em outro exemplo: imagine uma criança assistindo a um filme de terror. Para além do dano psicológico de estar sendo exposta a algo incompatível com sua classificação etária, vamos tentar entender o funcionamento cerebral à luz dessa exposição.


Talvez, para a criança, seja muito fácil em um momento de racionalização, separar o que assiste em ficção e realidade. Olha o córtex pré-frontal agindo aí... Mas temos que nos lembrar das falhas de nosso cérebro. E aqui isso pode ficar evidente. Por mais que algumas estruturas consigam racionalizar a experiência, outras não conseguem fazer isso e serão ativadas como se estivessem, de fato, vivendo o filme de terror! É justamente por isso que ela levará sustos, ficará apreensiva e mesmo hipervigilante durante o filme. É o cérebro não racional agindo.


Mas vamos extrapolar isso. Sabemos também que o cérebro é moldado por meio de suas experiências. Diversos estudos apontam para o fato de que o cérebro pode ser condicionado a agir de determinada maneira quando é exposto repetidamente àquela situação (isso é inclusive, o que faz com que o treino de neurofeedback seja possível!). Pense então em uma pessoa que está constantemente assistindo a filmes de terror, ou jogando jogos de violência e medo, ou outras atitudes semelhantes. Que mensagem ela está passando para o cérebro?


Nosso objetivo não é condenar esses filmes e jogos. A questão não é eliminar esses estímulos de sua vida eternamente. No entanto, quando temos uma rotina baseada nisso, ou seja, assistir a filmes e vídeos de terror todos os dias, ou jogar jogos violentos por horas e horas em uma mesma semana... Tudo isso está condicionando o cérebro a manter-se em estado de alerta e vigilância constante, ativando sistemas de luta e fuga e fazendo com que o corpo trabalhe com uma taxa de liberação de adrenalina e cortisol muito maior que a necessária.


Os impactos disso no longo prazo envolvem desde alterações comportamentais como viver em um estado de alerta permanente, favorecer o aparecimento de sintomas de hiperatividade e mesmo condicionar mudanças estruturais no cérebro, com impactos, inclusive, nos construtos cognitivos. O quadro é ainda mais grave quanto mais jovem for a pessoa, sobretudo, antes dos 16 anos, quando o cérebro ainda está em franco desenvolvimento.


Repetimos: não entenda a mensagem ao pé da letra. Algumas coisas são óbvias, é claro. Uma criança de 10 anos, por exemplo, não deveria estar assistindo ou jogando nada disso, mas você, ou seu filho adolescente não precisam ser draconianos no sentido de nunca mais assistir a um filme assim, ou jogar um jogo com esses cenários. A questão não é essa. Mas veja dessa forma: em nosso Treinamento Cerebral, você estimula seu cérebro a funcionar de modo mais adequado por aproximadamente 6h na semana. Vamos supor que você está passando 4h por dia em frente ao videogame apenas com jogos que favorecem a ativação exacerbada do cérebro, como comentamos. Isso dá uma média de quase 30 horas por semana realizando um condicionamento oposto ao que você pratica conosco. Existe um claro desequilíbrio aí. E isso pode estar atrapalhando o seus objetivos e o seu bem estar.


Portanto, reflita sobre o que conversamos aqui. Veja se você não sente que está se expondo demais a esses estímulos não funcionais e pondere se há algum ajuste a ser feito na forma e tempo que você consome esses conteúdos. Se você apenas pensar sobre o assunto e conversar conosco a respeito, já terá compreendido o objetivo dessa psicoeducação.


Em caso de qualquer dúvida, sinta-se a vontade para entrar em contato em nosso chat! Basta acessar nosso site e ele estará lá esperando a sua pergunta!


Obrigado por se juntar a nós na leitura de hoje.


Uma ótima semana e potencialize-se!


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