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  • Foto do escritorJonatas Mucci

Neuromodulação autorregulatória por meio do neurofeedback para pessoas autistas.

Atualizado: 27 de jul. de 2023


O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição neurológica do desenvolvimento que afeta a comunicação, interação social, comportamento e padrões de interesse de uma pessoa. É conhecido como "espectro" porque os sintomas e a gravidade do transtorno podem variar significativamente de pessoa para pessoa. Algumas podem apresentar apenas sintomas leves, enquanto outras podem apresentar desafios mais significativos em sua vida diária.


Os sintomas se manifestam nos primeiros anos de vida, sendo a condição mais comum em meninos do que em meninas. Embora as causas exatas do TEA não sejam totalmente compreendidas, pesquisas sugerem uma combinação de fatores genéticos e ambientais.


Os principais sintomas e características do Transtorno do Espectro Autista incluem dificuldades na comunicação verbal e não verbal, dificuldades na interação social, comportamentos repetitivos, interesses restritos e sensibilidade sensorial (luz, som, toque ou textura, por exemplo).


Vale lembrar que o diagnóstico do TEA é feito com base em uma avaliação abrangente realizada por profissionais qualificados, como neuropsicólogos, psiquiatras ou neurologistas. Embora seja uma condição vitalícia, intervenções precoces e terapias adequadas podem ajudar a melhorar as habilidades sociais, comportamentais e de comunicação, permitindo que as pessoas com TEA desenvolvam seu potencial e tenham uma melhor qualidade de vida. Uma dessas intervenções, por exemplo, é o neurofeedback.


O neurofeedback é uma técnica de intervenção que envolve o monitoramento e a regulação da atividade cerebral em tempo real. É uma abordagem baseada na neurociência que utiliza a tecnologia de biofeedback aplicada ao cérebro para ajudar as pessoas a aprenderem a autoregular suas ondas cerebrais e, assim, melhorar sua função cerebral e mitigar diversos problemas de saúde mental, aumentando o bem-estar.


O processo de neurofeedback geralmente envolve os seguintes passos:


Mapeamento cerebral: Inicialmente, o indivíduo é submetido a um mapeamento cerebral, também conhecido como eletroencefalograma quantitativo (EEG-q). Nesse momento, sensores são colocados em várias áreas do couro cabeludo para registrar a atividade elétrica do cérebro.

Feedback em tempo real: Com base nos dados obtidos do mapeamento cerebral, o neurofeedback fornece informações em tempo real sobre a atividade cerebral do indivíduo. Essas informações podem ser exibidas em forma de gráficos, sons ou até mesmo em jogos de computador, o que torna o processo bastante lúdico para intervenções em todas as idades.

Treinamento e aprendizagem: O indivíduo é incentivado a se envolver em atividades ou técnicas para tentar modificar a sua própria atividade cerebral. Por exemplo, se o objetivo é aumentar a atividade de ondas cerebrais associadas à calma e foco, o paciente pode receber feedback positivo (por meio de um sinal sonoro ou mudança no jogo) sempre que sua atividade cerebral atingir o padrão desejado. Com o tempo, o cérebro pode aprender a reproduzir esses padrões de forma mais consistente, contribuindo para a mudança do padrão de funcionamento cerebral como um todo.


 

Como o neurofeedback pode ajudar pessoas autistas?


O neurofeedback tem sido explorado como uma intervenção para ajudar pessoas no espectro autista (TEA) há pelo menos 30 anos. Algumas evidências sugerem que essa intervenção oferece benefícios em determinados casos. É importante ressaltar que o neurofeedback não é uma cura para o transtorno do espectro autista (até porque não se trata de uma doença), mas pode ser uma ferramenta adicional para melhorar a qualidade de vida e habilidades específicas das pessoas com TEA.


Aqui estão algumas maneiras pelas quais o neurofeedback pode, potencialmente, ajudar pessoas autistas:


Regulação emocional: O neurofeedback pode ajudar pessoas autistas a aprender a regular melhor suas emoções, ensinando-as a aumentar a atividade cerebral em áreas associadas à calma e ao relaxamento. Isso pode ser particularmente benéfico para pessoas com TEA que apresentam ansiedade ou dificuldades em controlar suas emoções.

Melhoria na atenção e concentração: O treinamento de neurofeedback pode ajudar a melhorar a atenção e a concentração em indivíduos com TEA, que muitas vezes podem ter desafios nesses aspectos.

Redução de comportamentos repetitivos: O neurofeedback pode ajudar a reduzir comportamentos repetitivos, estereotipados ou compulsivos, que são comuns em algumas pessoas autistas.

Melhoria da qualidade de vida: Quando usado como parte de uma abordagem terapêutica mais ampla, o Neurofeedback pode contribuir para uma melhoria geral da qualidade de vida das pessoas autistas, ajudando-as a lidar melhor com os desafios diários.


Por fim, quando falamos em transtorno do espectro autista, estamos frente a um assunto delicado e muito amplo. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhor e mais eficazes tendem a ser as intervenções e terapias empregadas.


Para saber mais sobre o TEA, e ter acesso a estudos científicos de ponta que relacionam o neurofeedback às intervenções para o transtorno, recomendamos a segunda edição do livro Autismo – Um olhar 360°, lançado neste mês pela Literare Books. Coordenado pela psicóloga Tatiana Serra e com a colaboração de diversos especialistas, incluindo a Patrícia Zocchi e o Bruno Zocchi, aqui da PotencialMente, o livro contará com diversos temas importantes para pais, educadores e profissionais de saúde interessados no aprendizado e manejo eficiente de pessoa autista. Não deixe de conferir!


Texto revisado pela Neuropsicóloga Patrícia Zocchi

CRP: 06/77641


 

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