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  • Foto do escritorBruno Zocchi

Neurofeedback para o TDAH: t√£o efetivo quanto a Ritalina? ūü§Ē

Atualizado: 27 de jul.



Quando se pensa na escolha de uma interven√ß√£o para o TDAH, muitos pais e m√£es logo acreditam que a √ļnica op√ß√£o para seus filhos e filhas √© o uso de rem√©dios (a Neuropsic√≥loga Patr√≠cia Zocchi, inclusive, fala disso nesse v√≠deo!). Mais do que isso, alguns cuidadores acreditam que ser√° necess√°rio consumir esses rem√©dios pelo resto da vida para ter um funcionamento adequado √†s demandas da escola, do trabalho e outros ambientes.


No entanto, essa cren√ßa, de que seu filho ou filha ficaria dependente do uso da medica√ß√£o para ter qualidade de vida, n√£o √© correta. Pelo contr√°rio, o avan√ßo das neuroci√™ncias e da tecnologia biom√©dica fizeram ser poss√≠vel tratar o TDAH com outras ferramentas, conforme apontam diversas pesquisas e dentro de padr√Ķes cient√≠ficos e metodol√≥gicos rigorosos.


O Neurofeedback, como conhecemos, é uma metodologia que une neurociência, psicologia e tecnologia para alterar o padrão de funcionamento elétrico do cérebro e trazer com isso a redução de sintomas e comportamentos indesejados. Pesquisado para o uso no TDAH desde 1972, o Neurofeedback hoje já é considerado uma forma de intervenção eficaz e efetiva para o combate do TDAH em crianças, sendo, inclusive, recomendado pela Academia Americana de Pediatria. Infelizmente, contudo, essa opção de intervenção, o Neurofeedback, ainda é pouco conhecida e pouco propagada pelos profissionais da psiquiatria, que muitas vezes insistem no tratamento medicamentoso.


A partir disso, muitos pais e mães ainda se perguntam e com razão: será que o Neurofeedback será tão efetivo quanto os remédios psiquiátricos no combate aos sintomas do TDAH do meu filho ou filha?


Um estudo publicado em 2003 pelo alemão Thomas Fuchs e outros pesquisadores pode ter uma excelente resposta a esse questionamento. O objetivo da pesquisa era exatamente esse: saber se o Neurofeedback seria tão efetivo quanto medicamentos a base de metilfenidato (como a Ritalina e o Concerta) no combate aos sintomas do TDAH em crianças.


Antes de falar do estudo, vamos lembrar como esses medicamentos funcionam no c√©rebro. De uma forma resumida, a Ritalina e o Concerta atuam inibindo a recapta√ß√£o da dopamina dispon√≠vel aos neur√īnios do c√©rebro, fazendo com que esse neurotransmissor permane√ßa mais tempo dispon√≠vel para os processos cerebrais. Como a dopamina tem uma importante fun√ß√£o na motiva√ß√£o e no modula√ß√£o de comportamentos, o uso desses medicamentos, ent√£o, permitiria que o c√©rebro se regulasse de uma forma mais adequada e os sintomas t√≠picos do TDAH como a desaten√ß√£o e a hiperatividade diminu√≠ssem. Infelizmente, no entanto, esses rem√©dios podem trazer duas consequ√™ncias ruins. A primeira, os efeitos colaterais como ansiedade, ins√īnia e altera√ß√Ķes no apetite. A segunda, ainda mais temida, o efeito-rebote, ou seja, a possibilidade de os sintomas regressarem caso o uso do medicamento seja interrompido.


O Neurofeedback pretende atuar de outra forma. Ele utilizar√° o conceito de ondas cerebrais (o per√≠odo espec√≠fico no qual os grupos de neur√īnios pulsam para que haja a comunica√ß√£o entre diferentes partes do c√©rebro) e, a partir da atividade el√©trica do c√©rebro da crian√ßa, medida em tempo real por um exame de eletroencefalografia totalmente n√£o-invasivo, ser√° poss√≠vel gerar est√≠mulos visuais e auditivos que far√£o com que o c√©rebro dessa crian√ßa funcione mais adequadamente.


Em termos pr√°ticos e de forma resumida, o Neurofeedback far√° 3 coisas:


1. Identificará em quais momentos e de que modo o cérebro da criança funciona da forma que confere mais bem-estar e performance, ou seja, da melhor forma.


2. A partir dessa identificação, gerará estímulos visuais e auditivos que serão exibidos para a criança (muitas delas até podem escolher o que vão assistir ou ouvir durante os treinos!).


3. Captados pelo cérebro da criança, esses estímulos farão com que o cérebro da criança sempre busque funcionar da mesma forma identificada no item 1, ou seja, a melhor forma possível.


Após um tempo nesse processo de condicionamento que é o Neurofeedback, o cérebro da criança estará apropriadamente condicionado para maximizar o tempo funcionando da melhor forma. Isso fará com que se combata os sintomas do TDAH e haja um maior bem-estar, mais controle e mais concentração na criança.


Voltando ao estudo. Os pesquisadores então queriam descobrir se o Neurofeedback poderia combater os sintomas do TDAH na mesma proporção que remédios à base de metilfenidato, como a Ritalina. Para isso, selecionaram 34 crianças, das quais 22 foram alocadas para receber treinos de Neurofeedback e 12 para receber o tratamento com medicação. Elas foram avaliadas antes e depois da intervenção, que durou 3 meses.


Os resultados foram impressionantes. Os pesquisadores perceberam que n√£o apenas o Neurofeedback foi capaz de combater os sintomas do TDAH tanto nos testes de aten√ß√£o, quanto na avalia√ß√£o de pais e professores, como tamb√©m descobriram que a interven√ß√£o com Neurofeedback foi t√£o efetiva quanto o uso de metilfenidato nas crian√ßas, trazendo percep√ß√Ķes de evolu√ß√£o cl√≠nica muito semelhantes e sem a incid√™ncia dos efeitos secund√°rios e colaterais da medica√ß√£o.


Os gráficos publicados no estudo podem ser conferidos abaixo. No primeiro, percebe-se considerável melhora nos aspectos de impulsividade, desatenção e tempo de resposta das crianças com TDAH nos dois grupos, com o Neurofeedback comparável ao metilfenidato. No segundo, uma diminuição também comparável entre os grupos nos problemas de comportamento apontados pelos pais e pelos professores.




O que esse estudo concluiu, dessa forma, foi que o Neurofeedback aplicado em crianças com TDAH tem chances muito parecidas, se não semelhantes, de trazer a melhora nos sintomas desse transtorno se comparado ao uso de medicamentos específicos.


Esses resultados com o Neurofeedback para o TDAH nos traz muitas perspectivas. Em primeiro lugar, por podermos contar com uma intervenção neurocientífica, não invasiva e não medicamentosa eficaz e efetiva contra o transtorno. Em segundo lugar, por evitar os efeitos colaterais e rebote que podem estar associados ao uso dos fármacos, algo que pode prejudicar o tratamento. Por fim, por demonstrar que crianças com TDAH não precisam ficar reféns de medicamentos sua vida inteira e podem contar com outras possibilidades para ter bem-estar, performance e qualidade de vida.


O Neurofeedback, inclusive, já conta com pesquisas demonstrando a manutenção dos resultados obtidos mesmo após anos e anos do término da intervenção, mas isso é assunto para um outro texto...


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Texto revisado pela Neuropsicóloga Patrícia Zocchi

CRP: 06/77641


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