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  • Foto do escritorBruno Zocchi

Uma linha do tempo do Neurofeedback

Atualizado: 27 de jul. de 2023




Como você sabe, falamos muito sobre Neurofeedback por aqui. Para coroar a Semana do Neurofeedback de nossa parceira Brain-Trainer Brasil, decidimos apresentar nesse texto uma linha do tempo dessa metodologia que traz conforto e bem-estar a tantas pessoas hoje em dia. Bom, vamos lá!


Como abordamos extensamente, o Neurofeedback é uma técnica de treinamento cerebral que tem como objetivo melhorar a função cognitiva e emocional por meio da autoregulação da atividade elétrica do cérebro. Essa técnica é baseada no princípio de que o cérebro pode ser treinado para melhorar sua atividade elétrica em áreas específicas por meio da apresentação de feedback em tempo real da atividade cerebral. Para isso, utilizamos equipamentos com moderna tecnologia e sempre atentos aos preceitos mais atuais da psicologia e das neurociências.


A história do Neurofeedback remonta à década de 1960, quando o psicólogo Joe Kamiya realizou os primeiros estudos sobre a regulação da atividade elétrica do cérebro em humanos. Kamiya descobriu que as ondas cerebrais de frequência mais baixa, conhecidas como ondas alfa, podem ser aumentadas por meio do relaxamento mental e visualização, e que essa atividade cerebral estava associada a um estado de relaxamento e concentração. Os resultados que indicaram essa percepção foram publicados em 1968 em um estudo entitulado "Operant control of the EEG alpha rhythm and some of its reported effects on consciousness", de fato, pioneiro na área.


Um pouco depois, Barry Sterman, outro psicólogo pioneiro na pesquisa de Neurofeedback, descobriu que o treinamento cerebral também poderia ter efeitos terapêuticos. Em seus estudos com gatos, Sterman descobriu que o treinamento de ondas cerebrais de frequência mais alta, conhecidas como ondas beta, poderia prevenir convulsões. Essa é inclusive uma história interessante que você encontra na aba de "História do Neurofeedback", aqui no site da PotencialMente. Posteriormente, Sterman aplicou o treinamento de Neurofeedback em humanos com epilepsia, com resultados também bastante promissores. Esse estudo é de 1973 e conta com o título de "Neurophysiological and clinical studies of sensorimotor EEG feedback training: some effects on epilepsy". Hoje, o Neurofeedback já é uma realidade de muito auxílio no tratamento para epilepsia, sempre acompanhando o tratamento neurológico padrão.


Além desses dois, Joel Lubar, um dos principais pesquisadores em Neurofeedback, foi o responsável por estabelecer os princípios de treinamento de ondas cerebrais em transtornos de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Lubar descobriu que o treinamento de ondas cerebrais de frequência mais baixa, conhecidas como ondas teta, poderia ajudar a reduzir os sintomas do TDAH em crianças. Esse estudo ("Discriminant EEG power patterns in ADHD subtypes") representou um avanço do uso terapêutico do Neurofeedback para intervir em transtornos mentais e desde então foi muito reproduzido. Inclusive, Lubar foi, desde a década de 80, um dos principais contribuintes do desenvolvimento desse campo de pesquisa. Os resultados continuam a demonstrar efetividade do Neurofeedback para o TDAH, inclusive, com essa modalidade de intervenção sendo indicada pela Associação Americana de Pediatria desde 2012.


Desde esses estudos pioneiros, o Neurofeedback tem sido amplamente estudado e utilizado em uma variedade de transtornos e condições, incluindo transtornos de ansiedade, depressão, transtornos do espectro autista, traumas, entre outros. A técnica tem sido considerada uma terapia alternativa ou complementar em muitos casos, com resultados promissores e efetivos em vários estudos.


Atualmente, a pesquisa em Neurofeedback continua a crescer, com muitos estudos investigando novas aplicações da técnica, bem como refinando a metodologia empregada para conferir grau de eficiência e efetividade atestadas. Alguns estudos recentes têm se concentrado em aplicações de Neurofeedback para transtornos do sono, transtornos alimentares, transtornos de personalidade, dor crônica, entre outros, além de se atentarem a metodologias de análise duplo-cega, com grupos controle, efeito placebo, com populações culturalmente distintas, etc.


Um estudo publicado em 2020 na revista "Psychiatry Research", investigou a eficácia do Neurofeedback em pacientes com depressão resistente ao tratamento. Os resultados do estudo indicaram que o treinamento de Neurofeedback levou a uma redução significativa dos sintomas de depressão e ansiedade, sugerindo que a técnica pode ser uma opção promissora para pacientes que não respondem a outras formas de tratamento.


Outro estudo publicado em 2021 na revista "Frontiers in Psychology", chamado "Neurofeedback and Cognitive Behavioral Therapy for Anxiety Symptoms: A Randomized Controlled Trial", investigou a eficácia do Neurofeedback em pacientes com transtornos de ansiedade. Os resultados mostraram que o treinamento de Neurofeedback levou a uma redução significativa dos sintomas de ansiedade em comparação com um grupo de controle que não recebeu o treinamento. Os pesquisadores concluíram que o Neurofeedback pode ser uma abordagem eficaz para o tratamento de transtornos de ansiedade.


Além disso, alguns estudos recentes têm explorado o potencial do Neurofeedback como uma ferramenta para melhorar o desempenho cognitivo e atlético. Um estudo publicado em 2019 na revista "NeuroRegulation" investigou o efeito do Neurofeedback em atletas de elite e descobriu que o treinamento levou a melhorias significativas no desempenho esportivo, incluindo velocidade, precisão e tempo de reação. O nome desse estudo é "Improvement of athletic performance following EEG-based neurofeedback training in elite athletes".


Por fim, outro estudo publicado em 2021 na revista "Frontiers in Psychology" investigou o uso de Neurofeedback para melhorar a memória de trabalho em adultos mais velhos. Os resultados mostraram que o treinamento de Neurofeedback levou a melhorias significativas na memória de trabalho, sugerindo que a técnica pode ser uma opção promissora para melhorar a função cognitiva em adultos mais velhos, inclusive, em tratamento de Alzheimer. Você encontra esse estudo pesquisando pelo nome "Working Memory Training With Neurofeedback for Older Adults: A Double-Blind Randomized Controlled Trial".


Em resumo, a história do Neurofeedback remonta aos estudos pioneiros de Joe Kamiya, Barry Sterman e Joel Lubar na década de 1960, e desde então a técnica tem sido amplamente estudada e utilizada em uma variedade de transtornos e condições. A contribuição dos 3 pioneiros do campo é vasta e certamente nos impulsionou para onde estamos hoje. A pesquisa continua a crescer, com estudos recentes investigando novas aplicações da técnica em transtornos do sono, transtornos alimentares, transtornos de personalidade, dor crônica, entre outros. Além disso, o Neurofeedback também tem sido explorado como uma ferramenta para melhorar o desempenho cognitivo e atlético. Com base nos resultados promissores desses estudos, acreditamos que é muito provável que o Neurofeedback continue a ser uma área de pesquisa e prática clínica em expansão. A PotencialMente já faz parte dessa história.


 

E você, quer fazer também? Não deixe de nos contatar e descobrir como você pode adicionar o Neurofeedback à sua prática clínica e atrair clientes com uma técnica baseada nas neurociências, na psicologia e na tecnologia.


Texto revisado pela Neuropsicóloga Patrícia Zocchi

CRP: 06/77641

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